Colecionando Taninos
Embalado pela curiosidade de alguns leitores, vamos fazer algumas considerações sobre o tão famoso e comentado Tanino.
Minha amiga Flavia sugeriu que fizéssemos um glossário do mundo enológico mas creio que aos poucos, com conversas como esta, iremos dando conta desta agradável tarefa, cujos termos e nomenclaturas nada tem de assustadores.
Além de ser antioxidante, provar, conhecer e avaliar este importante componente do vinho, tão instigante e diversificado, revela-se uma das atividade mais ricas e prazerosas desta prática pois, gradativamente, a cada gole, a cada taça, na medida em que tomamos contato com cada garrafa e cada terroir ao redor do mundo, seguramente iremos formando o que chamo de “Biblioteca Enológica”. Colecionar taninos é como já brincava vovô Luizito: Quer saber de vinhos? então bebe!
A cada degustação muitos olhares são lançados para eles. Notá-los é simplesmente um exercício de atenção na chamada adstringência. Para tentar “ilustrar", a depender da qualidade dos taninos, sentiremos em menor ou maior grau o “amarrar na boca”.
Sorvam e avaliem (vale até fechar os olhos): Se a sensação deixa "pegando" e sentimos nossas papilas gustativas “apertadas” dizemos que são taninos "verdes", pois precisam de um melhoramento, de um amadurecimento propriamente dito. Se for suave, certamente temos uma melhora de sua qualidade e até podemos classificá-los como taninos "elegantes", como taninos mais "redondos". Porém, se é mais forte e vigorosa, sobretudo agradável essa sensação dizemos "potente", dizemos que são "masculinos". Como percebem, a única regra para os definirmos é a coerência uma vez que é livre e cada um de nós criar associações para exprimir nossas sensações.
Para que comecemos a criar nossos parâmetros, o vinho que trago desta vez tem seus taninos bem acentuados. Com uma coloração roxa púrpura intensa, a quem diga “amoras maduras”, somam-se aromas de fumaça, chocolate, ameixas pretas secas, baunilha e frutas maduras. O Salton Classic Tannat é macio equilibrado e possui muito corpo e excelente permanência de sabor na boca, pronunciando ao final seus sabores de chocolate e de ervas.
Seus taninos melhoram se acompanhados carnes vermelhas, caça ou de porco, coxas de pato ou ganso, massas e queijos fortes. Humm, que tal um foiegrazinho hein?
Correto, bem vinificado e o mais importante: seu preço é imbatível. O que estamos esperando para "catalogar" mais este curioso vinho em nossa biblioteca enológica?
- Produtor: Salton
- País: Brasil
- Região: Rio Grande do Sul
- Graduação alcoólica: 12%
- Tipo: Tinto
- Preço: 16,50
Abraços,
Luiz de Mello


